Campanha pede pesquisa sobre autismo

04/04/2013 09:57
 
Foto: SXC/Creative Commons
O transtorno acomete mais os meninos do que as meninas, prevalência é de 5 para 1
O transtorno acomete mais os meninos do que as meninas, prevalência é de 5 para 1

Brincadeiras, pula-pula, guloseimas, roda de capoeira e diversas outras atividades recreativas alegraram o dia de centenas de crianças autistas, nessa terça-feira (2/3), no Parque da Cidade, marcando o Dia de Conscientização sobre o Autismo em todo o pais. O ato fez parte de uma campanha mundial que reclama mais investimentos em pesquisas sobre a causa e tratamento adequado para o autismo.

Além disso, quatro pontos de Salvador amanheceram iluminados em azul para homenagear a data: o Elevador Lacerda e os monumentos Clériston Andrade, Mário de Andrade e o Cristo da Barra. Familiares de autistas e profissionais da área promoveram também uma passeata no bairro de Ondina, com intuito de chamar a atenção da população sobre a causa.

De acordo com Rita Valeria, presidente da Associação dos Amigos do Autista da Bahia – (AMA/BA), as ações promovidas em todo o país têm a finalidade de alertar a sociedade sobre a forma de lidar com o transtorno que acomete mais de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, em especial crianças do sexo masculino.

A presidente destaca que uma das maiores lutas da AMA é pelo direito já garantido na lei federal de número 12764.12 para que a criança autista possa estudar em escolas regulares, dentre outras exigências. “A nossa luta é pela operacionalização da lei que já foi aprovada no final do ano passado, mas infelizmente muitas escolas regulares ainda não adotaram a norma. As crianças autistas precisam ser acompanhadas por uma equipe multidisciplinar com educadores, psiquiatra e psicólogos capacitados. Lembramos que o principal elemento de melhora para o autista consiste na interação social e não na política de exclusão adotada pela maioria”, disse.

De acordo como Antônio Freire médico psiquiatra da AMA, o autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais: inabilidade para interagir socialmente; dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos; padrão de comportamento restritivo e repetitivo. Ou seja, logo nos primeiros anos de vida os pais devem observar o comportamento da criança, principalmente no que se refere à interação com outras crianças. Outro alerta é quanto a repetição, ou seja, quando a criança cria forte vinculo afetivo com um brinquedo ou objeto.

Segundo o especialista, o transtorno acomete mais os meninos que meninas e a prevalência é de 4 a 5 meninos para cada menina. “Os pais devem ficar atento ao processo de desenvolvimento nos primeiros anos de vida. Uma criança que, aos dois anos, não responde com um sorriso às brincadeiras dos pais, ou nutre uma fixação por um objeto ou brinquedo, os familiares já devem ficar atentos e levá-la a um psiquiatra infantil", alertou.

O especialista explica também que o grau de comprometimento é de intensidade variável: vai desde quadros mais leves, como a síndrome de Asperger (na qual não há comprometimento da fala e da inteligência), até formas graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato interpessoal e é portador de comportamento agressivo e retardo mental.

Sintomas

O autismo acomete pessoas de todas as classes sociais e etnias. Os sintomas podem aparecer nos primeiros meses de vida, mas dificilmente são identificados precocemente. O mais comum são os sinais ficarem evidentes antes de a criança completar três anos.

De acordo com o quadro clínico, eles podem ser divididos em três grupos: ausência completa de qualquer contato interpessoal, incapacidade de aprender a falar, incidência de movimentos estereotipados e repetitivos, deficiência mental; o portador é voltado para si mesmo, não estabelece contato visual com as pessoas nem com o ambiente; consegue falar, mas não usa a fala como ferramenta de comunicação (chega a repetir frases inteiras fora do contexto) e tem comprometimento da compreensão; domínio da linguagem, inteligência normal ou até superior, menor dificuldade de interação social que permite aos portadores levar vida próxima do normal.

Na adolescência e vida adulta, as manifestações do autismo dependem de como as pessoas conseguiram aprender as regras sociais e desenvolver comportamentos que favoreceram sua adaptação e autossuficiência.

O diagnóstico é essencialmente clínico. Leva em conta o comprometimento e o histórico de paciente. Antônio Freire explica que o diagnóstico depende de três pilares importantes: prejuízo qualitativo, interação social e linguagem. “Os destrinchar destes pilares de comportamento vão determinar o diagnóstico. O psiquiatra precisa avaliar com muita cautela e buscar estimular uma série de comandos na criança, ou seja, para se ter uma diagnóstico é preciso mais que medicamentos, mais entrar no mundo da criança”, explicou.

Até o momento, autismo é um distúrbio crônico, mas que conta com esquemas de tratamento que devem ser introduzidos tão logo seja feito o diagnóstico e aplicados por equipe multidisciplinar.

Não existe tratamento padrão que possa ser utilizado. Cada paciente exige acompanhamento individual, de acordo com suas necessidades e deficiências. Alguns podem beneficiar-se com o uso de medicamentos, especialmente quando existem co-morbidades associada. 

http://www.tribunadabahia.com.br/2013/04/03/campanha-pede-pesquisa-sobre-autismo