Capriles anuncia que pedirá impugnação de eleição venezuelana

26/04/2013 09:29

Ex-candidato opositor afirma, no entanto, que não espera resposta favorável da Justiça


O opositor venezuelano Henrique Capriles afirmou na noite desta quinta-feira (25/04) que entrará com um recurso na Justiça para impugnar a eleição presidencial realizada no último dia 14, quando foi derrotado por Nicolás Maduro. Segundo o ex-candidato, no entanto, o recurso judicial será apresentado somente para cumprir com os trâmites previstos na lei, pois não espera resposta favorável e sinalizou não confiar na Justiça do país.

“Não vamos impugnar [a eleição] com a expectativa de que o Tribunal Supremo de Justiça nos dê algum tipo de resposta favorável ou que o sistema de administração da Justiça funcione”, criticou. Segundo ele, a intenção é que os questionamentos terminem “percorrendo o mundo” para que resultem em “uma nova eleição”.

Desde antes das eleições, Capriles depositava dúvidas sobre o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) e sua aliança opositora sinalizava a possibilidade de não reconhecer os resultados anunciados pelo órgão eleitoral. Um dos indícios foi sua negativa em assinar um documento em que os candidatos se comprometiam a aceitar os resultados e reconhecer a competência do órgão eleitoral como árbitro do pleito.

Agência Efe

O candidato derrotado na eleição venezuelana, Henrique Capriles, em entrevista à Globovisión

No dia seguinte às eleições, o líder opositor convocou a população a protestar, com um panelaço, contra a proclamação de Maduro e uma onda de violência foi desencadeada em vários Estados, causando nove mortes. Entre outras ocorrências registradas estavam incêndios a centros de saúde onde trabalham médicos cubanos, segundo o Ministério Público do país.
 

 

 

 


Para conter os distúrbios, o CNE autorizou uma ampliação da auditoria realizada no dia da votação. Na semana passada, o órgão esclareceu que o procedimento consiste na verificação cidadã, que segundo a normativa eleitoral não contempla uma recontagem dos votos, ao contrário do que vinha sendo dito por Capriles.

“Esta auditoria não é uma recontagem de votos nem tem como objetivo algum a revisão dos resultados. Quando o CNE emite resultados, é porque estes são irreversíveis. Para o CNE, o evento eleitoral terminou”, esclareceu a vice-presidente do órgão, Sandra Oblitas, no último sábado.

O ex-candidato voltou a questionar os resultados divulgados pelo CNE do país e disse que não participará da auditoria anunciada pelo órgão se suas condições, que incluem a verificação de cadernos de registro de eleitores, não forem aceitas. “Se não temos acesso aos cadernos de votação, não vamos participar de uma auditoria que seja uma brincadeira com os venezuelanos e com o mundo”, criticou.

Na quarta-feira, o opositor deu um ultimado ao órgão eleitoral para que respondesse às suas reivindicações e anunciasse o início da auditoria. Na entrevista desta quinta, no entanto, disse acreditar que a demora na resposta do órgão pode ser parte de um “jogo” para que se termine período máximo para a apresentação do pedido de impugnação do pleito. “Não vamos perder os prazos estabelecidos nas leis e o passo seguinte é impugnar as eleições”, afirmou.

Na quarta, o opositor já havia expressado que o pleito foi roubado, contradizendo certificações de observadores internacionais e o resultado anunciado pelo poder eleitoral, que ratificou sua derrota por uma diferença de 1,8% dos votos.

Maduro foi reconhecido como presidente da Venezuela pela OEA (Organização dos Estados Americanos), Unasul (União das Nações Sul-Americanas), Mercosul (Mercado Comum do Sul), Caricom (Comunidade do Caribe), Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América) e membros da UE (Uniao Europeia).

Capriles, no entanto, discorda: “Nós ganhamos as eleições”, garantiu o ex-candidato durante a entrevista à Globovisión nesta quinta-feira. “Estamos na luta pela verdade (...) não descansaremos até consegui-la”, disse.
 

 

 

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